sexta-feira, 15 de abril de 2011

A maior declaração de amor é o silêncio.


Seguiu sua rotina, milimetricamente e dormiu. Quando abriu os olhos, notou que havia algo diferente. Espantou-se. Quase gritou. Fechou os olhos. Quando abriu, ainda estava diferente. Um desacordo de formas e cores e sabores. Correu para o espelho. Gritou. No lugar dos olhos a boca e da boca orelhas, das orelhas nariz e do nariz os olhos. Olhava com a boca e cheirava com os olhos. Desesperou-se. Os dedos das mãos estavam nos pés e o dos pés nas mãos. Chorou. Por um segundo no meio daquela loucura e sentiu que estava diferente, pulsava de outro jeito. Olhou para o espelho novamente e se viu outra forma. O que parecia assustador, já não estava tão feio. Acalmou-se. Experimentou possibilidades, deu um novo sentido aos seus sentidos, um novo modo de fazer as mesmas coisas. Surpreendeu-se. Sentiu que seu coração agora batia por todo o seu corpo. Sorriu.

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