quarta-feira, 11 de julho de 2012

E então ela realmente se foi...
Despediu-se dos vizinhos, dos de lá e dos daqui, foi mais uma vez ver a velha senhora que curou seu umbigo e furou suas orelhas quando nasceu.

Abanou a mão para os velhos amigos e fechou a mala, como quem vira uma página.
Olhou pra trás, olhou a casa, sentiu-se ali dentro... e percorreu os olhos pela rua onde foi criada, cada casa, cada caso, cada tijolo...
E naquele momento sentiu que dali em diante, nada mais seria como antes, e chorou, fazendo sentir daqui a dor daquele coração tão puro e perfeito.
E o futuro vinha rápido, engolindo o passado, mesmo que ele fosse mais presente que qualquer outra coisa do mundo... e ela se sentia no meio, como se estivesse na metade do caminho, entre o antes e o depois.

Entre a felicidade certa e aquilo que ela esperava da felicidade. Entre aquela vida planejada, esperada, digerida e aquele gosto delicioso e assustador da novidade.E mesmo sem saber o que fazer, ela se foi...
Mas só depois de olhar pra trás.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu a amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

...e o que vem depois...


Depois de você, nunca mais quis que o tempo parasse. Já não conto os segundos durante uma espera. Já não espero com a melhor roupa, o melhor sorriso, o melhor abraço. O melhor de mim que eu tenho hoje pra oferecer é muito menos do que aquilo tudo que parecia só existir se fosse pra você. E que, pela infelicidade de ter logo te escolhido, tive que guardar só pra mim.
Nenhuma ausência me deixa mais com aquela saudade insaciável, incontrolada e maior que eu. Depois de você, nenhum outro amor me fez cometer loucuras. Nunca mais tentei compensar culpas alheias com possíveis deslizes meus. Já não perdoo crimes graves por medo da perda. Já nem sequer temo a perda. Passei a entender o amor como passagem.
Depois de você, nunca mais insisti para que alguém me amasse ou ficasse um pouco mais. Pra ser sincera, nunca mais quis que alguém ficasse um pouco mais. E me lembro de você a cada vez que encaro essa minha ferida.
Essa minha hemorragia mal estancada. Esse meu desespero contido. E de pensar que você não sabe nem da metade das minhas cicatrizes...
Sabe aquelas promessas velhas de que eu estaria à sua espera?

Sem querer acho que cumpri. Tentei te esquecer, não ligar, não pensar e nem te desejar deste modo tão incandescente, mas mesmo que em silêncio, mesmo com o passar do tempo, sinto que minha alma ainda espera pela sua. E do seu modo, sinto que você também espera por mim.
Apesar dessa dolorida espera mútua e calada, sei que não estamos prontas uma para a outra. Não estamos preparadas para um amor tão maior que nós. Não agora. Não nessa vida.