Não consigo encontrar a resposta dentro de mim, quando venho como visita à minha própria casa, mais de 3 anos depois... Abandono é o que vejo. Não encontro explicação. Quanta coisa eu guardei só pra mim, que cheguei já a esquecer. Quanta coisa passou sem o desabafo. Minha vida é um conto de falhas. A sensação é de que me esqueci e fui esquecida. Abandonada pelas próprias ideias. Errar dói. Dói tanto que nos faz sonhar com a sem-gracice de uma vida só de acertos. Seria um tanto confortável, é verdade, mas talvez valha a pena ser mais realista e enxergar as coisas por outra perspectiva: erros novos significam novas tentativas e esse é um jeito bem mais da hora de encarar a vida.
Por isso, passada a ressaca do silêncio que se fez, hoje finalmente mais um ano começa aqui e eu faço meu grande pedido de ano novo: que eu siga errando, mas que meus erros sejam novos. Que eu me arrependa das dores de novas ressacas. Que eu veja novos filmes ruins, trabalhe em novos projetos errados e beba de outra vodca barata. Que meus erros do passado tenham sido perdoados mas permaneçam frescos em minha mente para que não se repitam. Que os novos erros hora ou outra se convertam em acertos e que eu mantenha em minha mente a certeza de que só segue errando quem se mantém em movimento. Errar faz parte do exercício de viver.
