terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O amor é a boca suja.


Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria.
Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pergunta é melhor do que dúvida.




Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu,tano.
Eu,femismo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não se esqueça de ser feliz.


Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um sufoco... uma sede talvez.


E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesma me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse.

Essa morte constante das coisas é o que mais dói


A vida é agora, aprende. Ainda outra vez tocarão teus seios, lamberão teus pêlos, provarão teus gostos.

E outra mais, outra vez ainda. Até esqueceres faces, nomes, cheiros.

Serão tantos.

O pó se acumula todos os dias sobre as emoções.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mentira ambulante!


A mentira nela nunca fora fraude, mas essência. Seu segredo mais fundo e mais raso, daí quem sabe a surpresa branca de quando ouvira um quase-amigo dizer que não passava de uma personagem. Prometera-se sentimentos sem intercalados, mas sentia agora uma necessidade de explicar ao ninguém que superlotava sua constante platéia, com ela sempre fora assim: quase-amigos, nada de intimidades. Mas voltando atrás no ir adiante: uma surpresa quê. Não, não uma surpresa quê. Uma não-surpresa surpreendida, pois como e porque se fizera visível e dizível naquele momento o que nem sequer alguma vez escondera? Perdia-se, não eram teias. Nem labirintos.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Porque chega uma hora em que você tem que escolher a vida.


...Afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome...

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente.


Estou cada vez mais bossa-nova, espiritualmente sentado num banquinho, com o violão no colo. Deus, como eu quero paz.

A minha fé continua em pé


Outra coisa que penso quando me lembro daquelas uvas cor-de-rosa é que na vida, as coisas mais doces custam muito a amadurecer...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Inclusive nós...


Faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível.
Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Seu abraço me coube, mas...


as coisas só adentram em mim quando podem escapar em seguida...