terça-feira, 5 de julho de 2011

Seu olhar se petrifica no meu.

Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquela Fulana tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana?
Vou contar o que vejo nela: vejo tudo o que não consegui ver ainda, vejo uma serenidade rara e isso é mais importante do que o dinheiro que ela não tem, vejo que ela se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, vejo uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara e acho linda!


Vejo que ela faz tudo para que eu fique contente, vejo que ela erra, mas quando acerta, acerta em cheio, vejo que ela não dá a mínima para comportamentos padrões e vejo o que ela tem de invisível para todos as outras pessoas...

Agora vou contar o que ela vê em mim: ela vê, sim, que meu corpo não é nem de longe parecido com o da Deborah Secco, mas vê que tenho uma bunda atraente e que bem além disso, tenho uma boca que sorri para ela como não sorri pra mais ninguém, me vê do jeito que sou, vê que preciso dela e isso a faz sentir-se importante, repara que até hoje não aprendi a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faço um cafuné que deveria ser patenteado, vê que bocejo só de pensar na palavra bocejo, vê que sou tão insegura quanto ela e humana como a maioria das pessoas, vê que sou livre e poderia estar com qualquer pessoa, mas é ao seu lado que quero estar, vê que me preocupo quando ela some, mas não me preocupo se ela não diz que me ama de 10 em 10 minutos, e por isso nos amamos mesmo que ninguém entenda...
Nem nós.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Escolha ser feliz a viagem...
Se você soubesse o quanto eu ...